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Com Rafael Santos

Eleições 2026 têm queda de 30% no número de candidaturas pela primeira vez em 20 anos

Levantamento com base nos dados da Justiça Eleitoral aponta 20.501 candidaturas registradas, contra 29.262 em 2022.

20 de Agosto de 2026 17:01

O número de candidaturas registradas para as eleições de 2026 caiu pela primeira vez em duas décadas. Segundo levantamento divulgado pelo UOL com base em dados da Justiça Eleitoral, foram registradas 20.501 candidaturas neste ano, contra 29.262 no pleito geral de 2022.

A diferença é de 8.761 candidaturas a menos, uma redução de cerca de 30% em relação à última eleição geral. O resultado interrompe uma sequência de eleições em que o número de candidatos vinha aumentando.

Entre os fatores apontados para a redução estão mudanças na legislação eleitoral adotadas nos últimos anos. Uma delas é a cláusula de desempenho, que estabelece requisitos para que os partidos tenham acesso a recursos e funcionamento parlamentar.

Nas eleições de 2026, a regra considera, entre outros critérios, a eleição de pelo menos 13 deputados federais ou a obtenção de 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos um terço dos Estados.

O mecanismo aumenta a pressão sobre legendas menores e contribui para mudanças na organização partidária e eleitoral.

Outro fator citado é a criação das federações partidárias. Diferentemente das antigas coligações proporcionais, as federações obrigam os partidos que as integram a permanecerem unidos por quatro anos.

Com isso, as siglas federadas passam a atuar conjuntamente nas eleições proporcionais, o que reduz a necessidade de apresentação de chapas independentes.

Também houve mudança no limite de candidatos que cada partido ou federação pode registrar para as eleições proporcionais, que envolvem as disputas para deputado federal, estadual e distrital.

A legislação atual estabelece um limite equivalente ao dobro do número de vagas em disputa, acrescido de um candidato. A alteração reduziu diretamente a quantidade máxima de nomes que podem ser registrados pelas legendas.

Nas eleições anteriores, os partidos tinham uma margem maior para lançar candidatos em relação ao número de cadeiras disponíveis.

A redução também ocorre em um cenário de maior concentração do sistema partidário. Siglas que não atingem os requisitos da cláusula de desempenho enfrentam restrições no acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda.

As mudanças passaram a produzir efeitos mais claros depois das eleições de 2022. Naquele pleito, havia um número elevado de partidos disputando separadamente, além de uma quantidade maior de candidaturas proporcionais.

Com as federações, partidos que anteriormente apresentavam listas próprias passaram a compartilhar a estrutura eleitoral dentro de uma mesma organização.

A queda no número total de candidaturas, portanto, está relacionada principalmente às regras que limitam a quantidade de nomes que podem ser registrados e às mudanças na forma de organização das legendas.

Os 20.501 registros de 2026 representam, segundo o levantamento citado, a primeira redução no número de candidaturas em 20 anos.

Fonte: Nova FM - O Sul - @alankucmanski

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