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Nova Manhã

Com Josi Mai

Mercado financeiro prevê queda acentuada da Bolsa brasileira neste ano, abaixo dos 160 mil pontos

Pesquisa mostra que o pessimismo com o cenário para o Brasil cresceu.

19 de Agosto de 2026 23:59

Esqueça aquelas projeções otimistas de um Ibovespa em 2026 acima dos 200 mil pontos até o fim do ano. A pesquisa Latam Fund Manager, realizada mensalmente pelo Bank of America (BofA) mostra que o pessimismo com o cenário para o Brasil cresceu. Agora, quase metade dos entrevistados espera que o principal índice de ações brasileiro encerre o ano abaixo dos 160 mil pontos.

A maior parte dos gestores ouvidos pelo BofA projeta que o Ibovespa terminará 2026 entre 150 mil e 160 mil pontos, sugerindo que ainda há espaço para novas desvalorizações do índice em relação aos patamares atuais.

Trata-se de uma mudança relevante no sentimento do mercado financeiro em relação à pesquisa anterior, de julho.

Naquele mês, quase 30% dos gestores entendia que o IBOV deveria encerrar o ano entre 190 mil e 200 mil pontos. Na outra ponta, os mais pessimistas, que viam a Bolsa entre 150 mil e 160 mil pontos representavam menos de 5% do todo.

Piora no câmbio e nos lucros

Os principais riscos externos para as ações dos países latino americanos, não só o Brasil, são juros mais altos nos Estados Unidos e dólar mais forte, mostra a pesquisa.

A projeção para o câmbio subiu de R$ 5,11 a R$ 5,40 para R$ 5,41 a R$ 5,70, indicando que os gestores também esperam por uma desvalorização do real nos próximos meses.

Por aqui, piorou ainda o sentimento em relação aos lucros corporativos, mostra o Bank of America. Cerca de 53% dos gestores esperam revisões para baixo nos resultados das empresas; em julho, eram 35%.

Em relação a taxa de juros, 76% esperam pelo menos um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic; essa também é a projeção do BofA, que acredita em uma pausa prolongada no ciclo de afrouxamento monetário após esse ajuste adicional. Outros 53% veem espaço para pelo menos dois cortes.

Maior cautela, maior caixa

A cautela dos gestores está se traduzindo em uma alocação mais criteriosa. O nível de caixa dos gestores permaneceu em 6,0% em agosto, acima da média histórica de 5,5%.

Mas a parcela daqueles que pretendem aumentar a alocação em ações nos próximos seis meses caiu para 16%, o pior resultado desde outubro de 2024. O apetite a risco também caiu para o menor nível desde abril de 2025, mostra a pesquisa Latam Fund Manager.

O BofA diz ainda que os gestores demonstram preocupação com as “value traps”, um termo usado no mercado para se referir a ações que parecem baratas, com múltiplos descontados, mas que esconde fundamentos frágeis.

Utilities (serviços básicos, como energia e saneamento) e o setor financeiro continuam sendo os preferidos do Ibovespa em 2026, com maior “overweight”, enquanto consumo discricionário e básico são as menores posições relativas entre as carteiras dos entrevistados.

Fonte: O SUL

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