A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc) voltou a defender mudanças no projeto de concessão das rodovias federais no Estado. A entidade pede a revisão das propostas antes da assinatura dos contratos, alegando que o modelo atual não atende às necessidades de infraestrutura de Santa Catarina.
Segundo informações da própria Fetrancesc, um estudo técnico elaborado pelo Governo Federal e resgatado pela entidade mostra que, há quase dez anos, já havia a indicação da necessidade de duplicar mais de 500 quilômetros das BRs-153, 282 e 470, que fazem parte dos lotes de concessão.
De acordo com o presidente da Fetrancesc, Dagnor Schneider, Santa Catarina vive um crescimento econômico acima da média nacional, mas a infraestrutura rodoviária não acompanha esse desenvolvimento.
"O crescimento de Santa Catarina exige decisões e obras na mesma velocidade. O projeto apresentado pela ANTT não atende às reais necessidades das duplicações que são demandadas nas rodovias catarinenses", afirmou.
Ainda conforme Schneider, a entidade participou de todas as audiências públicas realizadas durante a discussão do projeto e alerta que os contratos terão validade de 30 anos. Para ele, este é o momento de corrigir possíveis falhas antes da concessão definitiva.
O presidente também lembrou problemas enfrentados em concessões anteriores, como o caso da BR-101 Norte, e destacou que os novos contratos precisam garantir obras compatíveis com a realidade do Estado.
Outro ponto levantado pela Fetrancesc é a diferença entre o estudo do Ministério dos Transportes e o projeto atualmente apresentado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo a entidade, o levantamento técnico apontava a necessidade de duplicar 502 dos 544 quilômetros previstos para concessão, devido ao fluxo de veículos registrado na época. No entanto, a proposta atual prevê apenas 79 quilômetros de duplicação nos lotes 1 e 3.
"Depois de mais de dez anos, estamos falando de projetos que preveem apenas 79 quilômetros de duplicação. É uma realidade muito difícil de entender. Quase que é uma afronta para Santa Catarina", declarou Schneider.
Além da ampliação das duplicações, a Federação defende que o Governo Federal participe dos investimentos para reduzir o impacto dos custos das obras e manter tarifas de pedágio consideradas justas para os usuários.
Segundo a Fetrancesc, essa participação pode ocorrer por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), do Ministério dos Transportes ou através de Parcerias Público-Privadas (PPPs).
A entidade reforça que a revisão do projeto precisa ocorrer antes da assinatura dos contratos, para que as futuras concessões atendam às demandas de mobilidade, segurança e desenvolvimento econômico de Santa Catarina.
Fonte: Nova FM - RNA Florianópolis - @alankucmanski
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