Um novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), apresentado nesta segunda-feira (28) durante a Conferência Internacional da AIDS 2026, no Rio de Janeiro, revelou que os novos casos de HIV caíram 42,9% no mundo desde 2010. Apesar do avanço, o ritmo ainda é considerado insuficiente para atingir a meta de acabar com a aids como ameaça à saúde pública até 2030.
Segundo o Unaids, foram registrados 1,2 milhão de novas infecções por HIV em 2025. O número é bem menor do que os 2,1 milhões registrados há 15 anos, mas ainda está muito acima da meta de apenas 200 mil novos casos por ano até 2030.
Na contramão da tendência mundial, o Brasil apresentou aumento de 21,9% nos novos casos de HIV na comparação com uma década atrás. Dados do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde apontam que o país registrou 39,2 mil novos diagnósticos em 2024. Até setembro de 2025, já eram 29,4 mil novos casos contabilizados.
Atualmente, cerca de 1,7 milhão de brasileiros vivem com HIV, de acordo com estimativas do Ministério da Saúde.
A diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, afirmou que eliminar a aids até 2030 é possível do ponto de vista científico, mas destacou que o sucesso depende de decisões políticas, investimentos e ampliação do acesso aos serviços de saúde.
Ela também alertou que, na América Latina, o crescimento das infecções está ligado principalmente à desigualdade, ao preconceito, à discriminação e às dificuldades de acesso à prevenção e ao atendimento em saúde.
O relatório mostra ainda que aproximadamente 41 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo. Hoje, o tratamento com medicamentos antirretrovirais consegue controlar o vírus, impedindo que a infecção evolua para a aids, fase mais grave da doença. Isso significa que uma pessoa com HIV pode viver com qualidade de vida e, quando mantém a carga viral indetectável, também deixa de transmitir o vírus.
Em relação às mortes causadas pela aids, houve redução de 57% desde 2010. Em 2025, foram registrados 570 mil óbitos no mundo, o menor número em três décadas, mas ainda acima da meta estabelecida pelas Nações Unidas.
O relatório também destaca avanços na prevenção da transmissão do HIV da mãe para o bebê e no acesso ao tratamento. O Brasil alcançou duas das três metas internacionais conhecidas como 95-95-95, que medem o diagnóstico, o tratamento e o controle do vírus. Além disso, o país recebeu, em dezembro do ano passado, a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV, tornando-se o primeiro país com mais de 100 milhões de habitantes a conquistar esse reconhecimento.
Especialistas reforçam que a prevenção continua sendo fundamental. O uso de preservativos, a testagem regular, o início rápido do tratamento e o acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP) são as principais estratégias para reduzir novas infecções e controlar a epidemia.
Fonte: Nova FM - O SUL
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