A história de Vergílio Pereira da Silva, homem de 110 anos que morreu em Campos Novos, no Meio-Oeste de Santa Catarina, ganhou destaque após a família compartilhar relatos sobre a trajetória vivida por ele.
Conhecido na comunidade pela longevidade, o idoso morreu poucos meses antes de completar 111 anos. Agora, os filhos buscam preservar a trajetória do pai, marcada por relatos de violência, fuga e recomeço, além de reunir documentos e depoimentos que ajudem a reconstruir a história vivida por ele.
Trajetória de vida de homem de 110 anos
Em conversa com o ND Mais, Maria Claudete, filha do homem de 110 anos, contou que o pai dizia ser filho de uma mulher escravizada e de um fazendeiro de origem alemã que nunca o reconheceu publicamente.
Ainda criança, teria sido vendido para uma fazenda no Mato Grosso, onde sofria agressões, passava fome e vivia sob vigilância constante para impedir qualquer tentativa de fuga.
A fuga, conforme o relato da família, aconteceu quando ele tinha 12 anos. Durante aproximadamente três meses, caminhou por estradas, conseguiu caronas com tropeiros e dormiu em árvores para evitar ser encontrado até chegar a Campos Novos.
Chegada a Campos Novos marcou recomeço após período de violência
Ao chegar ao município, o menino permaneceu por cerca de seis meses vivendo nas ruas até ser acolhido por uma família da região, que lhe ofereceu abrigo, alimentação e trabalho. Segundo Claudete, foi a partir desse momento que ele conseguiu reconstruir a vida e permanecer em Campos Novos.
Mais tarde, seu Vergílio trabalhou na agricultura, em uma olaria e em empresas do município.
Vergílio casou-se com Angelina de Matos Pereira, com quem viveu por 55 anos e teve sete filhos:
Maria Claudete;
Maria Elizabete;
Maria Catarina;
Joslaine;
Fábio Junior;
Jorge;
Edson.
Segundo a filha, foi somente na época do casamento que ele conseguiu o registro civil e passou a ter documentos oficiais.
Ao relembrar a trajetória do pai, Maria Claudete resume o impacto que esse período teve sobre a vida dele.
“Meu pai não teve juventude. Escravo não tem liberdade”, afirma.
Filhos agora buscam preservar a memória e trajetória do pai
Segundo Claudete, o homem de 110 anos permaneceu ativo mesmo após a aposentadoria e morreu no dia 7 de julho, poucos meses antes de completar 111 anos.
Segundo Maria Claudete, preservar a história do pai tornou-se uma missão da família após a morte de Vergílio. Ela afirma que ainda pretende reunir novos relatos e documentos para que a trajetória dele não seja esquecida.
“Se fosse contar toda a vida do pai, daria um livro” destaca.
Fonte: ND+
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