A mulher de 37 anos que é investigada por se passar por uma adolescente de 12 anos teve a prisão em flagrante convertida em preventiva após decisão da Justiça catarinense, a pedido do Ministério Público. Ela é acusada de cometer a farsa em Joinville, no Norte catarinense, para obter abrigo, sustento e outros benefícios de uma família por mais de um ano.
Segundo o MP, a medida foi solicitada pela 25ª Promotoria de Justiça com base na garantia da ordem pública e na necessidade de assegurar a instrução criminal. A promotoria argumenta que a suspeita apresenta risco de voltar a cometer crimes e que sua vida itinerante, sem residência fixa, pode dificultar a aplicação da lei penal.
De acordo com a investigação, a mulher teria se apresentado à família com o nome falso de “Gabriele” em fevereiro de 2025. Durante cerca de 14 meses, ela teria fingido ser uma criança inicialmente de 11 anos e, posteriormente, de 12 anos, alegando ser autista e vítima de abusos.
Ainda conforme o Ministério Público, a investigada adotava comportamentos infantilizados, como o uso de mamadeira e chupeta, para reforçar a falsa identidade. Durante o período em que permaneceu na residência, a família teria custeado integralmente suas despesas, incluindo moradia, alimentação, roupas e medicamentos de alto custo.
A fraude foi descoberta em maio deste ano, quando familiares das vítimas identificaram semelhanças entre o caso e reportagens sobre golpes semelhantes atribuídos à mesma mulher em outros estados.
O inquérito da Polícia Civil aponta que a suspeita teria atuado em diferentes regiões do país, incluindo os estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Conforme a investigação, o método consistia em se aproximar de instituições religiosas ou famílias, utilizando histórias de vulnerabilidade para conquistar confiança e obter vantagens materiais.
Para a promotora Bruna Gonçalves Gomes, a conduta demonstra “elevado grau de reprovabilidade, periculosidade social e frieza na execução do delito”, ao explorar sentimentos de solidariedade e afeto das vítimas.
Além da prisão preventiva, o Ministério Público pediu a quebra do sigilo de dados do celular apreendido com a mulher. A solicitação inclui acesso a mensagens, registros de chamadas e conteúdos de aplicativos, que poderão auxiliar na apuração da extensão das supostas fraudes.
Fonte: OESTE MAIS
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