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Com Vinicius Silveira

Biometano surge como solução sustentável para o agronegócio catarinense

Primeira planta certificada da América Latina usa resíduos da suinocultura para substituir combustíveis fósseis e gerar renda no campo

08 de Abril de 2026 23:59

Foi inaugurada em Campos Novos, no Meio-Oeste de Santa Catarina, a primeira usina de biometano da América Latina certificada para operar a partir de dejetos de suínos. A informação foi divulgada pela empresa responsável e por entidades do setor energético.

O biometano é um tipo de gás renovável produzido a partir da decomposição de matéria orgânica, como os resíduos da suinocultura. Na prática, ele pode substituir combustíveis fósseis, como diesel e gás natural, sendo uma alternativa mais limpa e sustentável.

Segundo a empresa H2A Bioenergia, responsável pelo projeto em parceria com a Cooper Campus, o que antes era um problema ambiental agora se transforma em solução. “Transformamos um passivo ambiental em energia limpa e renovável. Isso reduz emissões e ainda gera valor para o agronegócio”, explicou o diretor-presidente, Adilson Teixeira Lima.

De acordo com a Associação Brasileira de Energia de Resíduos, o Brasil ainda aproveita apenas 1,5% do potencial de produção de biometano, o que mostra espaço para crescimento no setor.

A usina de Campos Novos já opera com tecnologia de ponta. Atualmente, tem capacidade para produzir cerca de 5 mil metros cúbicos por dia de biometano. Até o fim do ano, a expectativa é ampliar esse volume para 16 mil metros cúbicos diários, além de gerar 13 toneladas de CO₂ de grau alimentício por dia.

O processo funciona de forma relativamente simples. Os dejetos dos suínos são levados até um biodigestor — equipamento que promove a decomposição da matéria orgânica. Esse processo gera o biogás, que depois passa por uma etapa de purificação, resultando no biometano com qualidade semelhante ao gás natural.

Além do gás, o projeto também gera outros produtos, como biofertilizantes e créditos de carbono — que são certificados que comprovam a redução de emissão de gases poluentes e podem ser comercializados.

Ainda segundo a empresa, o modelo de negócio funciona em parceria com produtores rurais. Eles entram com o espaço e a matéria-prima, enquanto a empresa fornece tecnologia e gestão, com divisão dos lucros.

Outras cinco plantas semelhantes já estão em processo de licenciamento em Santa Catarina, o que indica expansão da produção de energia renovável no estado.

Fonte: Nova FM - ACAERT/RNA Florianópolis

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