A escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente após a intervenção dos Estados Unidos no Irã, pode trazer reflexos diretos para o agronegócio brasileiro. O alerta faz parte do relatório Cenário do Agronegócio, apresentado durante a Expodireto Cotrijal, feira do setor realizada no município de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul.
De acordo com o estudo elaborado pela consultoria Bateleur, o conflito pode pressionar os custos logísticos, elevar o preço de fertilizantes e afetar toda a cadeia de produção de alimentos.
Um dos pontos de preocupação é o impacto sobre o transporte global de petróleo. Parte desse combustível passa pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Com tensões na região, houve aumento no preço da commodity, o que acaba elevando também os custos de frete e transporte em escala mundial.
Segundo o relatório, quando o custo da energia sobe, toda a cadeia produtiva sente o impacto. No agronegócio, isso significa transporte mais caro, aumento no preço dos insumos e reflexos no custo de produção das lavouras.
Outro ponto sensível envolve os fertilizantes, produtos essenciais para o cultivo agrícola. O estudo destaca que cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados, e aproximadamente um terço da ureia, um dos principais nutrientes usados nas lavouras, vem justamente do Oriente Médio. Qualquer redução na oferta pode elevar os preços e pressionar produtores rurais.
O relatório também aponta que o aumento da inflação global pode influenciar decisões econômicas, como as taxas de juros. No Brasil, isso pode dificultar a redução da Taxa Selic, encarecendo o crédito rural e afetando investimentos no campo.
Apesar das incertezas externas, as perspectivas para a produção agrícola seguem positivas. A safra brasileira de grãos para o ciclo 2025/2026 pode chegar a 353,4 milhões de toneladas, o que representaria um novo recorde de produção.
Especialistas apontam que, mesmo diante dos desafios internacionais, o agronegócio brasileiro continua com potencial de crescimento e pode encontrar novas oportunidades de exportação em outros mercados.
Fonte: Nova FM - O SUL
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